Parresia Fotográfica # 3: sobre o opressor que há em nós.

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Foto: Bruno Morais

Rua Primeiro de Março, em frente a Assembléia Legislativa, hoje, por volta de três da tarde.

O menino sentado no chão roubou o celular dessa senhora. Perseguido por um jovem por três quarteirões foi trazido até a o local.

Logo outras pessoas se avizinham.

Jovem: –  pronto senhora, ta aqui o ladrão. Devolve o celular pra ela porra !

O menino devolve e começa a chorar.

Jovem: – tai o flagrante, agora a senhora tem que dar queixa, senão ele vai fazer de novo.

Senhora visivelmente constrangida.

O senhor de terno se aproxima, é segurança da ALERJ, manda o menino sentar com certa brutalidade. Me aproximo e falo que ninguém vai usar de violência. Um rapaz que entrega bebidas e está com um triciclo concorda e reforça minha fala.

Outro rapaz se voluntaria pra chamar a polícia. Há uma patrulha do outro lado da rua, mas não parecem interessados na ocorrência.

Senhora visivelmente angustiada, talvez esteja se lembrando dos seus filhos e netos.

A massa clama por justiça.

Rapaz insiste em que ela dê queixa, outros incitam, falam em dar porrada, há um clima de tensão.

O segurança pergunta se ela quer liberar o menino.

Eu falo que ela devia tentar conversar com ele, saber melhor sobre sua vida, que não vale a pena metê-lo na cadeia por um celular, que a raiz do problema está muito mais embaixo.

O menino chora.

Ela libera, não sem a desaprovação da maioria das pessoas.

Ele corre, chora ainda, não tenho nem tempo de saber seu nome, desaparece no meio da multidão.

É preciso pouco pra manter as coisas como estão, mas enfim, nada deve parecer impossível de transgredir.

Por: Bruno Morais

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Uma resposta para Parresia Fotográfica # 3: sobre o opressor que há em nós.

  1. h³dIAS disse:

    Há um lado nosso que clama por justiça e um outro que se vê e se sente como a própria… É importante que possamos perceber que ambos os lados são parte de uma história, nem sempre boa, nem sempre má, mas mais uma história e se leva pouco da vida de alguém quando se permite outra chance… Só então, transgredir é não agredir em todos os sentidos, por não se saber a causa que as aparências nem sempre expõem, nem sempre velam, mas cuidar das suas próprias escolhas é um ato são de percepção que o limite entre o certo e o errado é tênue e todos nós, em algum momento da vida podemos ser pedra ou vidraça, independentemente da ilusão do momento exposto, da razão reivindicada, do que se evitou, mesmo que somente pelo breve tempo da reflexão… Injustiças fazem parte da nossa ânsia de “justiça” e por vezes o opressor que está em nós precisa ser contido e o libertino irá aflorar. Namastê

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